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Exposição fotográfica retrata travessia de família síria na Europa

Texto: Jéssica Cruz / Foto: Cinthia Bueno/MIS

“Farida, um conto sírio” representa milhares de pessoas que são forçadas a deixar suas casas

Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidade, muitos anos de vida. “Eu amo a Síria, amo minha escola, amo a Suécia, amo o Brasil e amo a paz”. Essas foram as palavras da pequena síria Widad em agradecimento aos parabéns de dezenas de pessoas na última quinta-feira, dia 4, no MIS – Museu de Imagem e do Som de São Paulo. Widad Majid veio ao Brasil junto com sua família a convite do fotógrafo brasileiro premiado pelo Pulitzer Maurício Lima para um bate-papo sobre a crise de refugiados no mundo. O evento contou também com a jornalista americana Anemona Hartocollis, do The New York Times, a intérprete libanesa Grace Kassab e a diretora do Humans Right Watch Brasil Maria Laura Canineu, com mediação da crítica de fotografia Simonetta Persichetti.

Maurício Lima e Anemona Hartocollis acompanharam a travessia da família Majid em 2015. Foram 29 dias e 8 fronteiras da Sérvia à Suécia, onde vivem hoje como refugiados. “Perdemos casa, perdemos tudo. A guerra destruiu o povo na Síria, todo mundo está morrendo”, conta Farid Majid, pai de Widad. Anemona estava cobrindo a crise econômica na Grécia, onde pela primeira vez teve dimensão da quantidade de pessoas fugindo da guerra. “Fui enviada para essa pequena ilha na Grécia, onde todos os dias eu encontrava pessoas chegando em botes da Turquia, e eu perguntava ‘para onde vocês estão indo?’ e eles diziam Alemanha, Suécia…”, relembra Anemona.

Pela primeira vez, o número de mais de 21 milhões de refugiados no mundo tomou forma, rosto e voz para a jornalista. Maurício Lima já cobria conflitos armados e refúgio desde 2003 no Iraque, se juntou à repórter na Sérvia, e, juntos, eles decidiram que, assim como ocorreu com Anemona, era preciso dar um rosto para essa guerra. “Para mim a fotografia é muito íntima, então eu sugeri que acompanhássemos uma família durante a travessia. No final da viagem, eu tive a oportunidade de dar tchau aos meus amigos, e não a mais alguém que eu tinha fotografado”, conta Maurício.

Farid também ressaltou que aceitar a presença de Maurício e Anemona foi uma decisão de denunciar o que está acontecendo na Síria. “Queremos que as pessoas saibam o que acontece. Todos os dias bomba, gás sarin, muito triste. Maurício é a nossa voz no mundo”, diz Farid. Assim como Maurício, Anemona também criou laços com a família Majid. “Não é toda família que permitiria ter uma equipe de jornal com eles durante um período tão perigoso e crucial para a sobrevivência deles. Temos certeza que encontrarmos a família certa e passamos a lutar essa guerra por eles também”, afirma a jornalista.

A família dos irmãos Ahmad e Farid Majid, com filhos e esposas, chegou em segurança na Suécia e hoje está aprendendo o idioma do país e criando uma nova vida. A esposa de Ahmad, Jamile, fez a travessia grávida e deu à luz a Farida já na Suécia. O nome, que significa “única” em árabe, é o título da exposição fotográfica de Maurício, que fica até dia 28 de maio no MIS. “Minha esperança é paz, voltar para o meu país, acabar a guerra”, sonha Ahmad. O desejo de mudança também é o que move Maurício: “A gente espera que pessoas que tomam decisões se sensibilizem com isso. A história dessa família é uma grande lição de perseverança”.

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