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A moda como ferramenta de transformação social

Texto: Priscila Zucas – Tawil Comunicação/Adus Brasil / Fotos: Gabriel de Moura

Lançamento da campanha Re-existência, do estilista Ronaldo Fraga, visa divulgar a causa do refúgio usando a moda como ponto de partida

No último dia 06 de dezembro, o Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado promoveu, em parceria com o estilista Ronaldo Fraga, o lançamento da campanha Re-existência.

O evento, realizado no Jardim Europa, contou com a presença de cerca de 100 pessoas, que tiveram a oportunidade de ver a exposição de fotos de Lelé Luiza, confraternizar, assistir palestras e saborear especiarias dos países de origem dos refugiados ajudados pelo Instituto.

Com a célebre frase “Somos todos refugiados”, Fraga marcou presença com seu carisma contagiante e uma estampa feita especialmente para a campanha. “A moda é um vetor de várias faces: econômico, antropofágico, cultural, social e político. Esse cenário foi o que eu escolhi para construir a minha narrativa de moda, então não tem como ignorar uma causa como a dos refugiados”, afirmou o estilista.

Após a exibição do vídeo de apresentação da campanha, Fraga chamou Lelé para contar sobre o Childhood Rescue Project, que deu origem à exposição fotográfica: “O projeto tem como missão trabalhar com crianças que estão em situação de risco. O que me moveu a criar esse projeto foram os refugiados sírios, iraquianos e afegãos e a questão de Mariana”. As fotos refletiam o olhar das crianças ajudadas pelo projeto para o próprio futuro.

Em seguida, foi a vez de Sylvie Mutiene Ngkang, refugiada da República Democrática do Congo, contar como foi a experiência de abandonar a profissão de advogada em seu país de origem para vir ao Brasil trabalhar como faxineira. A história emocionou muitos dos presentes, que fizeram questão de cumprimentà-la após a palestra.

Para fechar o ciclo de apresentações, um dos fundadores do Adus, Sidarta Borges Martins, chamou todos os que ajudaram a fazer do evento um marco para tornar o mundo um pouco mais acessível, destruir as barreiras e deixá-lo um pouco menos preconceituoso. “Os objetivos do evento eram arrecadar fundos, divulgar a causa do refúgio e ter um espaço para conversar com pessoas que têm penetração na sociedade. Esses objetivos foram atingidos com sucesso”, contou Martins.

Ao longo do evento, que teve duração de quatro horas, os convidados tiveram a oportunidade de adquirir camisetas com estampas criadas por Fraga e um livro de ilustrações produzidas por Sophia Maia, uma criança de 10 anos que se sensibilizou com a causa e resolveu criar uma forma de ajudar os refugiados.

SPFW
No mês de abril, Ronaldo Fraga entrou em contato com o Adus para ajudá-lo na seleção de refugiados para modelar em seu desfile no SPFW (São Paulo Fashion Week). Batizada de Re-existência, a coleção verão 16.2017 abordou o tema refúgio e intolerância.

A inspiração surgiu durante uma viagem de dois meses pela África, em 2015. Em Moçambique entrou em contato com refugiados e a literatura de Mia Couto e do português Valter Hugo Mãe.

O desfile, realizado em 25 de abril, na Bienal de São Paulo, trouxe aplicações em formato de barquinhos de papel para mostrar a fragilidade e vulnerabilidade das embarcações que atravessam oceanos, lotadas de refugiados e migrantes, máscaras inspiradas nos modelos usados por manifestantes no Burundi, e tranças que remetem ao trançado utilizado pelas refugiadas de Moçambique.

Passaram pela passarela da 41ª edição do SPFW os sírios Nour Koeder e Nawras Alhaiabi, a congolesa Fanny-Mudingayl, Leon Diab, da Palestina e Alassane Diaw, do Senegal.

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