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A Síria pelas lentes do brasileiro Gabriel Chaim

Fotógrafo e documentarista, Chaim falou sobre os bastidores das imagens em evento na Zipper Galeria

 Criança corre na cidade destruída de Alepo, na Síria“ width=

“Nenhum tipo de confronto aqui no Brasil, mesmo dentro das favelas, tem comparação com uma guerra”. Gabriel Chaim, fotógrafo e documentarista brasileiro, tinha um projeto chamado “Kitchen for Life”, que documentava o que as pessoas comiam em situações extremas, seja ela de pobreza ou refúgio. Com esse trabalho, ele percebeu que os campos de refugiados patrocinados tinham alimentação muito similar às das casas das pessoas comuns. Foi por meio deste trabalho que Gabriel foi pela primeira vez à Síria. “A revolução já tinha começado, mas não era uma guerra. Com o tempo, eu me apaixonei por aquelas pessoas em busca da vida”.

O bate-papo ocorreu ontem (12), na Zipper Galeria, onde a exposição “Filhos da Guerra: O Custo Humanitário de um Conflito Ignorado” está sendo exibida em parceria com a Human Rights Watch. Chaim contou a história de algumas das fotografias em exposição, como a do menino rebelde de 17 anos sentado em um sofá. “Se você olhar essa foto 360º, tudo ao redor está destruído e aí é um front de guerra, você pode morrer a qualquer momento”.

Rebelde no sofá no front de guerra na cidade síria de Alepo“ width=

Morrer é algo que passou a ser parte do cotidiano para os sírios. “Para os refugiados, fugir é a única opção”. Chaim conta ainda sobre como as pessoas perdem referências, como no caso das crianças. “As crianças vivem brincando nas ruínas, é como se estivessem em um castelo, é tudo o que elas têm. E essa foto eu nem sei o que ela estava fazendo, mas ela não estava fugindo”.

Chaim foi preso no ano passado ao tentar atravessar a fronteira com a Turquia e logo depois deportado para o Brasil. Com isso, ele ganhou ainda mais confiança dos soldados na região e voltou para filmar um programa de TV chamado “Zona de Conflito”, que ainda será lançado. Nessa última viagem, Gabriel viu 11 pessoas serem fuziladas em confronto contra o Estado Islâmico. “Sempre ouvi que para estar na guerra você precisa odiar um lado e amar o outro, mas eu ouvi tanta mentira do lado dos rebeldes dizendo ‘eu tenho a voz da razão’ e do lado militar a mesma coisa, que chegou uma hora que eu decidi estar do lado humanitário”.

Um novo bate-papo será realizado na galeria neste sábado (16) às 17h e a entrada é gratuita.

Serviço: Bate-papo com Gabriel Chaim e Patrícia Campos Mello
Onde: Zipper Galeria – Rua Estados Unidos, 1494
Quando: 16 de janeiro, às 17h
Informações: https://www.facebook.com/zippergaleria

Texto: Jéssica Cruz / Foto: Reprodução – Gabriel Chaim

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