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ACNUR amplia o registro de refugiados da Síria no Líbano

Um novo centro para o registro de refugiados foi aberto pelo ACNUR em Tripoli, capital da província Norte do Líbano. Anunciada esta semana, a medida foi tomada diante do aumento de pessoas que têm chegado ao país em virtude do conflito na Síria.

A estrutura foi montada no Centro Internacional de Exposições Rachid Karame, com capacidade para registrar até 700 pessoas por dia. O procedimento é importante para que os refugiados comecem a receber assistência humanitária, atendimento médico e para matricular as crianças nas escolas públicas libanesas.

(Foto: ACNUR)

“Minha situação está muito difícil. Perdi minha casa, não sei onde está meu marido e não tenho nada além do meu documento de identidade”, disse Samar, de 19 anos, que foi registrada com seus dois filhos. Ela chegou ao Líbano depois de ter sua casa em Hama destruída e de seu marido ter sido preso.

O centro de exposições foi remodulado em apenas quatro dias. Estão em funcionamento nove salas de registro, além de salas para refugiados que precisam de outros tipos de orientação.

Muitas pessoas chegaram a Tripoli nos últimos dias esperando que o registro as ajude a receber a assitência básica necessária para sua sobrevivência.

Nour e seus três filhos – Fatima, Omar e Asaad – estão no Líbano há duas semanas. Ela saiu de Tal Khalah, na Síria, levando apenas documentos, depois que um bombardeio matou sua filha de seis anos.

Grávida de nove meses, ela ficou emocionada ao contar que seu marido ainda está na Síria e ela não sabe como vai pagar o hospital quando o bebê chegar.

O Norte do Líbano tem cerca de 20 mil refugiados já cadastrados, outros milhares esperam pelo registro, além das tantas outras pessoas que continuam chegando todos os dias. Uma campanha está encorajando os refugiados a procurar o novo centro.

Os dados do ACNUR não refletem toda a população de refugiados no Líbano, já que milhares ainda não estão registrados. O número de pessoas nos países vizinhos à Síria continua a crescer. Até 13 de agosto, o número oficial de refugiados sírios nos países vizinhos era de 157.577, sendo 45.998 na Jordânia, 37.740 no Líbano, 14.129 no Iraque e 59.710 na Turquia.

Por meio de seus parceiros locais, o ACNUR vai cobrir as taxas escolares das crianças refugiadas e está promovendo aulas de reforço durante as férias de verão, que terminam no próximo mês, para tentar equilibrar as diferenças de currículo escolar.

Até o início das férias, 1.200 crianças sírias estavam matriculadas em escolas no Norte do Líbano. O ACNUR estima que entre 3 mil e 4 mil crianças ingressarão no sistema de ensino em setembro depois de terem sido registradas.

Incluindo a população refugiada na província ao norte, o Líbano tem 37.740 refugiados registrados e outros 1.700 estão recebendo a primeira assistência enquanto aguardam pelo fim dos trâmites burocráticos. Da população cadastrada, 57% está no Norte do Líbano, pouco mais de 40% está no Vale do Bekaa, no leste do país. Um pequeno número de refugiados está na capital Beirute e nas províncias de Monte Líbano e Sul do Líbano. Os registros continuam no Vale do Bekaa e em Beirute.

As condições de segurança estão se deteriorando na fronteira do Norte do Líbano com a Síria. Alguns pontos de Wali Khalid, onde residem diversas famílias, estão sendo atingidos pelos bombardeios sírios até três vezes por semana. Ainda assim muitas pessoas preferem ficar em áreas instáveis da fronteira, ajudadas por famílias solidárias, do que buscar proteção em abrigos coletivos.

No Norte do Líbano, algumas famílias refugiadas empenham suas economias em aluguéis caros. Apesar da generosidade, a capacidade das famílias libanesas de acolher os sírios está no limite. No leste do país grande parte dos refugiados está em abrigos. Na região do Vale do Bekaa, 94 famílias estão em escolas, 80 delas deverão ser reabertas para o novo semestre, que começa em setembro. O ACNUR está aumentando seus esforços para encontrar abrigos alternativos para esta população.

O número de refugiados não para de crescer. O ACNUR tem recebido notícias de que muitos mais estão a caminho. Eles estão levando bastante tempo para cruzar a fronteira por causa dos longos questionamentos e da dificuldade em conseguir transporte.

Bathoul Ahmed em Trípol, Líbano

Fonte: ACNUR

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