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ACNUR aumenta assistência para atender crescente fluxo de refugiados malianos

Mais de 44 mil pessoas fugiram no último mês devido à violência no norte do Mali, sendo que o número de recém-chegados no Níger dobrou nos últimos dias. Este êxodo poderia aumentar frente a relatos de novos conflitos nas áreas que fazem fronteira com a Argélia.

Desde o início dos enfrentamentos, no dia 17 de janeiro, entre os rebeldes tuaregues e o exército do Mali, os países vizinhos relatam um contínuo influxo de refugiados. Mais de 18 mil estão na Mauritânia, 18 mil no Níger e mais de 8 mil em Burkina Faso. O número total foi duplicado, já que 22 mil tinham sido registrados até o dia 7 de fevereiro.

(Foto: ACNUR)

Há relatos de que, nos últimos dias, conflitos irromperam em Tessalit e Tinezewadern, locais próximos à fronteira com a Argélia, o que deve levar ainda mais pessoas a fugirem do Mali rumo a países vizinhos.

“Na medida que o influxo continua, nossas equipes estão intensificando a assistência para refugiados que se abrigaram em tendas improvisadas nas vilas fronteiriças ao Mali”, disse Melissa Fleming, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), a jornalistas em Genebra, na última sexta-feira. “A assistência humanitária é ainda mais urgente, já que a região de Sahel está enfrentando uma severa crise alimentícia devido a vários anos de seca”.

Na Mauritânia, a equipe do (ACNUR) está coordenando a distribuição de alimentos e outros itens emergenciais para 5 mil refugiados. A agência adquiriu rações alimentares para outros 8 mil refugiados e está levando caminhões de água para as regiões de acolhida. Além disso, a agência está transportando suprimentos médicos de emergência oferecidos pelos parceiros.

Na sexta, as equipes do ACNUR começaram a reformar o campo de Mbéra, o qual abrigou refugiados tuaregues nos anos noventa. O local ainda possui vários pontos de água e estruturas que serão transformadas em escolas e centros médicos.

“Na última quinta-feira, dois voos fretados pousaram na capital do Níger, Niamey, levando 2.5 mil tendas do nosso estoque em Douala, Camarões, 500 das quais serão transportadas para Burkina Faso”, disse Fleming. “Espera-se que caminhões, que partiram do nosso armazém no Gana levando assistência humanitária, cheguem a Niamey e Ouagadougou nos próximos dias”.

Na quarta-feira passada, funcionários do ACNUR viajaram ao distrito de Ayorou, no norte do Níger, onde mais de 2 mil recém-chegados estão espalhados ao longo das áridas cidades fronteiriças. Entre eles, está Zoulfa, uma mulher de 40 anos que fugiu de Souggan, no leste do Mali, juntamente com sua família.

“Uma manhã, nós levantamos e nos demos conta de que todas as autoridades da vila tinham partido. Ficamos assustados. Alguns homens armados entraram na vila e roubaram nossos pertences e nosso gado. Eles atiraram para o ar, mas não nos alvejaram”, recordou. “Partimos devido à insegurança e também pela falta de comida no Mali”.

O marido de Zoulfa ficou na fronteira com o gado, enquanto ela trazia os quatro filhos, um burro e algumas cabras para Gaoudel, a 10 quilômetros da fronteira no distrito de Ayorou. Atualmente, vivem em uma tenda provisória, onde as crianças ficam cobertas de poeira.

“Venta muito durante o dia e faz frio à noite. Minha filha de dois meses está com febre”, disse. “Nós coletamos água no rio Níger, a três quilômetros de distância”.

Em Burkina Faso, os refugiados se abrigam majoritariamente em campos improvisados no norte do país, assim como na casa de nativos e em quartos alugados na capital Ouagadougou.

Os conflitos entre o Movimento de Liberação Tuaregue (MNLA) e as forças do governo foram retomados na metade de janeiro em Mali, rompendo o acordo de 2009 que finalizava oficialmente a rebelião tuaregue.

Por Hélène Caux, em Gaoudel, distrito de Ayorou, Níger

Fonte: ACNUR

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