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Adus anuncia reestruturação na gestão

Texto: Jéssica Cruz / Foto: Fabiana Ferraresso

Com objetivo de aumentar transparência e qualidade no atendimento aos refugiados, instituto promove mudanças na administração

No último sábado, 28, o Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado anunciou uma nova estruturação na gestão e a criação de um conselho consultivo, com nomes como a chef de cozinha Bel Coelho e o ex-presidente do CONARE (Comitê Nacional para Refugiados) Beto Vasconcelos.

Com quase 7 anos de existência, o Adus hoje conta com 220 voluntários e tem mais de 3 mil refugiados cadastrados. Com o crescimento da crise humanitária no mundo – em 2016 mais de 25 mil pessoas solicitaram refúgio no Brasil, de acordo com o CONARE – e a conquista da sede do instituto em São Paulo em 2015, gerir o Adus se tornou muito mais complexo e desafiador. “O Adus era uma ideia, não tinha prática, a gente não tinha ninguém com uma formação de economia e administração. Éramos muito do operacional, era muito ‘vamos fazer’. Isso que, em um primeiro momento, fez com o que Adus fosse adiante”, afirma Marcelo Haydu, diretor e um dos fundadores.

A vontade de fazer continua, mas para que financeiramente o instituto se torne sustentável é preciso avançar. Esse processo teve início há quase um ano, quando a estrutura passou a ser analisada e repensada de acordo com a nossa missão: atuar em parceria com solicitantes de refúgio, refugiados e pessoas em situação análoga ao refúgio para reintegração, buscando a valorização e inserção social, econômica e cultural.

Adus apresenta novos membros do conselho consultivo

A parceria com os refugiados é um dos focos das principais mudanças da diretoria. A advogada Carla Mustafa, até então à frente da coordenadoria de Relações com Refugiados, passa a ser diretora e contará com uma secretaria para articular espaços de ouvidoria das demandas e propostas dos refugiados. “Não que tenha havido um distanciamento do refugiado, mas justamente porque não tínhamos uma base bem sedimentada. Conseguimos a sede em 2015, por exemplo, e foi um longo processo para chegarmos nesse momento um pouco mais estável. Resgatar a nossa missão é o objetivo deste novo Adus. Trabalhar com refugiados e não para refugiados”, explica Carla.

Sidarta Martins, também advogado, continua na diretoria financeira do instituto e destaca outra importante mudança. O Adus terá um papel mais participativo no posicionamento político sobre a causa do refúgio. A experiência que temos com refugiados e estudos acumulados pelo grupo Advocacy serão utilizados para sugestão de políticas públicas em beneficio do refugiado e do imigrante. “O Adus irá qualificar-se, mas sem perder o carinho, a magia deste trabalho”, afirma Sidarta.

A nova estruturação está baseada em quatro eixos, de acordo com Victor Mellão, um dos fundadores do instituto. O primeiro deles se dá no tocante à gestão, o estudo de como as coisas estavam funcionando até então, como melhor passar por essa transição sem sacrificar tudo o que já foi conquistado e avançar no futuro. O segundo eixo é relacionado ao avanço no sistema de informações. “Chegamos a um limite tecnológico e precisamos aprimorar para gerar mais conhecimento sobre os nossos resultados”, explica Victor. O terceiro eixo foi identificar o que era projeto, o que era serviço, o que era processo operacional e estratégico. E, por fim, o quarto eixo é o avanço no processo administrativo e de transparência do instituto.

Os serviços como aulas de português, atendimento psicológico, atividades de integração e mediação na busca por ofertas de trabalho continuam normalmente. O que muda é a maneira como a instituição está organizada para que as áreas tenham boa comunicação entre si e divisão clara de tarefas para que ocorra um aprimoramento no uso do tempo dos voluntários e dos recursos que a instituição possui. Além de gerar mais transparência para nossos apoiadores, sendo eles empresas ou a sociedade civil por meio do programa AmigoAdus. “Mudanças às vezes assustam, mas a gente tem que abrir o coração. Agradeço a todo mundo, a toda equipe do Adus que se abriu para este processo”, afirma Victor.

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