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Adus apoia formação em empreendedorismo criativo para refugiados

Texto: Marina Fidalgo / Fotos: Antonia Souza

O curso aborda aspectos práticos para iniciar um negócio no Brasil e propõem plano de implementação

Renée mostra as suas colegas de curso algumas das bonecas que cria

Potencializar ideias e negócios locais. Esse é o foco do curso de formação para empreendedores realizado pela Universidade de Loughborough (Reino Unido) em parceria com a Adesampa/ Prefeitura de São Paulo e apoiado pelo Adus. O objetivo é dar suporte a empreendedores para que possam construir um plano de implementação de seu negócio e assim fomentar a economia criativa de base comunitária.

A formação teste aconteceu na cidade de São Paulo, entre os dias 18 e 28 de janeiro, com carga horária de 28h. Os participantes foram escolhidos entre os empreendedores refugiados que foram expositores nos bazares e feiras do Adus, como artesãos, artistas, músicos, culinaristas e terapeutas corporais.

“Como já estávamos planejando desenvolver atividades de capacitação para os refugiados empreendedores, esta formação foi uma oportunidade para adquirirmos aprendizados e experiências”, afirma Marysol Goes, coordenadora a frente de empreendedorismo para os refugiados e responsável por ministrar o curso para essa turma.

Economia criativa na prática
A metodologia usada no curso foi The Studio, para negócios criativos. Ela utiliza o conceito de economia criativa, que se diferencia da economia tradicional – centrada em matérias primas que se consomem com o tempo – pois trabalha com recursos abundantes e intangíveis como a criatividade e a cultura.

Potencializar o aspecto cultural é o que a artesã Renée Ross-Londja, da Guiana, percebeu como ferramenta principal para diferenciar seu negócio de bonecas de tecido e demais itens com características de sua cultura natal. “As pessoas têm muita curiosidade em saber o que as bonecas representam, onde eu encontro os meus tecidos. Elas querem saber sobre a cultura do meu país. A venda acaba acontecendo de forma natural, depois dessas explicações”, conta Renée, participante do curso.

Desafios e conquistas
A comunicação em português e a burocracia brasileira para se abrir um negócio são algumas das dificuldades enfrentadas pelos participantes, que para superar essas barreiras contam com aulas de português e apoio jurídico semanalmente no Adus.

Outro ponto importante é o capital de giro para poder manter os negócios. “Muitos empreendedores refugiados acabam gastando suas economias no período inicial de estabelecimento no Brasil. E, em muitos casos, por ainda não conhecerem o mercado brasileiro acabam perdendo dinheiro em iniciativas que não lhes garantem o retorno que eles esperavam”, diz Marysol.

Para manter saudável o aspecto financeiro dos pequenos negócios, o treinamento abarcou assuntos que auxiliaram a realizar o “orçamento de sobrevivência pessoal”, a fixar preços adequados aos seus serviços /produtos no mercado e a organizar o fluxo de caixa de seus empreendimentos, com noções básicas sobre contabilidade e cobrança.

“Como a dimensão financeira nos negócios é algo crucial e afeta muitos empreendedores, eles sendo refugiados ou não, complementamos a esta metodologia algumas noções de Fluxonomia, que considera valor não somente o monetário, mas também o recurso existente nas quatro dimensões: cultural, ambiental, social e financeiro”, complementa Marysol.

Empresário na Síria, Salam-Alsyyed , sabe muito bem que um empreendimento leva tempo para se desenvolver. Há dois anos no Brasil, ele oferece pratos típicos sírios em feiras e eventos e sonha em ter aqui a fábrica ligada a design, como a que tinha em seu país. Com o auxílio de um tradutor, Salam diz que, além do desejo de voltar a atuar em sua área, o seu negócio também ajudaria a muitos refugiados sírios, que poderiam trabalhar com ele.

Entre os aprendizados que o grupo e Marysol destacaram está o reconhecimento em relação ao potencial que seus talentos e habilidades podem agregar à sociedade brasileira na forma de negócios, se ativados e bem planejados. Próximas capacitações estão previstas para ocorrer ainda neste semestre.

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