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Mira ainda não nasceu, mas a realidade que aguarda essa brasileirinha do lado de cá é muito diferente do pavor que viviam os pais Amani e Taher, vindos da Síria há 5 meses. Amani estava vibrante na grade que separa o campo de futebol do pátio do Colégio Santa Cruz, em Pinheiros, torcendo pelo marido na Copa dos Refugiados.

Organizada pelo Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado no domingo, 29 de junho, em comemoração ao Dia Mundial do Refugiado (20 de junho), a Copa reuniu jogadores da Síria, Mali, Colômbia, Congo, Costa do Marfim e do vencedor Haiti.

Mesmo perdendo por 9 a 0, Amani não perdeu a esperança e torceu pelo marido

Cursando aulas de português promovidas pela ONG, Amani me garantiu que o marido era muito bom jogador, mas só podia ser o amor – significado, em grego, do nome da primeira filha do casal -, porque a Síria estava perdendo de 8 a zero para o Mali naquele momento.

A festa não acontecia só dentro do campo, havia muita dança, churrasco, doação de roupas, venda de artesanato, oficinas de arte e recreação infantil. A artista plástica Duwari (Patrícia Barbuscia) é voluntária do Adus no auxílio de capitação de verba, mas na festa exerceu a função de pintora com um grande painel montado no pátio e muitas tintas coloridas. “Eu não queria ficar só no computador, queria vir ajudar de outras formas também. A ideia era que fosse uma arte coletiva e deu certo, as crianças vêm aqui, pintam, se sujam…”.

E as crianças aproveitaram mesmo, independente do país de origem, já dominando o português ou não, elas estavam sempre juntas e se entendiam do jeitinho delas. Vaidosa, a congolesa Laini, que veio para o Brasil com os pais e dois irmãos, pediu às voluntárias que pintassem suas unhas, passassem maquiagem e colocassem vários adereços de cabeça. Quase uma modelo. Depois, aprendeu a fazer um buquê de flores e sabe quem foi presenteada? A mãe, que estava ajudando na barraca de doações de roupa.

Crianças fizeram as unhas, maquiagem e, claro, brincaram e pintaram

Quem cuidou dessa garotada foi a Camila Amaral, que viu uma notícia sobre a festa no site Planeta Sustentável e resolveu ir ajudar. “Eu estudei nesse colégio até 2008 e como é perto da minha casa, eu vim. Gosto muito de crianças, então quando vi elas brincando já fui lá interagir”. E haja fôlego para tia Camila, como foi chamada durante todo o domingo. “É interessante que as crianças aprendem muito rápido o português, então elas conseguem me contar sobre a história delas, mas algo que não consegui saber é há quanto tempo estão no Brasil, porque criança não tem noção de tempo. Elas só sabem que eram pequenas.”

Enquanto a bola rola no campo, voluntários e refugiados se divertem dançando

O trabalho dos voluntários é de extrema importância para que um evento como esse aconteça. No total foram, 150 voluntários. A Adus também contou com o suporte da rede de voluntários Atados. “O colégio Santa Cruz, por exemplo, foi muito receptivo com a idéia, toparam de cara ceder o espaço e também doaram as bolas”, conta Daniel Morais Assunção, membro da Atados. Os uniformes foram confeccionados pela Lili Figurinos. E o supermercado Assaí doou R$ 2 mil em carne para realização do churrasco. O restante dos gastos foi pago através do crowdfunding realizado pela internet. A meta era de R$ 2.700, mas superou as expectativas e chegou a R$ 3.745.

“Brasileiro tem big coração, muito bom”, é um dos motivos que apesar da saudade da família na Síria, Amani não quer voltar para o país de origem. “Pela filha eu não volto, aqui muito bom para todo mundo”.

Texto e fotos: Jéssica Cruz

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