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Delegação canadense visita Adus

Texto: Jéssica Cruz / Fotos: Renato Araújo

Intercâmbio visa compartilhar conhecimento em gestão de projetos

Capa de ‘Imaginário – A Arte Solidária de Sophia’

Mestrandos da Universidade de Quebec, em Montreal, Canadá, estão passando duas semanas no Brasil visitando organizações sociais da sociedade civil para conhecer e compartilhar boas práticas de gestão de projetos. Victor Mellão, um dos fundadores do Adus – Instituto de Reintegração do Refugiados, foi o anfitrião da visita que o grupo fez à sede do instituto. “Eu e um amigo na faculdade de Relações Internacionais percebemos o sofrimento e os problemas de integração dos refugiados. Junto com outro amigo, na época meu mentor na faculdade, fundamos o Adus. E devo confessar, era uma ideia bem utópica no começo”, conta.

Após breve tour pela sede, Victor traçou um panorama dos valores e missões da instituição, contou sobre as grandes conquistas que tivemos nesses seis anos de existência, como a sede em São Paulo e o braço de atividades em Curitiba, e pontuou que esses sucessos também trouxeram novos desafios. A voluntária Ana Paula Barbosa, que atende os refugiados na recepção e também no projeto Trabalho&Renda, falou sobre o dia a dia no Adus: “O atendimento é o primeiro contato que o refugiado tem com a instituição, por isso eu procuro deixá-los confortáveis, pergunto se querem um café e, em seguida, como podemos ajudá-los. Nós nunca perguntamos o porquê de eles deixarem o país deles, temos que respeitar o tempo de cada um”, explica Ana Paula.

Samir Sabar e Ariane Couture foram os porta-vozes da turma e apresentaram o programa MOSAICA, desenvolvido pelos alunos de mestrado em Gestão de Projetos. “A vantagem é que viemos de diferentes áreas, o Samir é de marketing, a Diane é de comunicação, temos também engenheiros, tecnologia da informação, isso traz diferentes perspectivas e ideias para o programa”, ressalta Ariane. Para a visita ao Brasil, os alunos definiram como tema de pesquisa “Inovações Sociais”, ou seja, projetos que tenham um impacto na sociedade. Além do Adus, eles também visitarão o Abraço Cultural, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e outras instituições.

Diane Ramirez, da delegação canadense, ressaltou que os brasileiros são muito conhecidos pela criatividade e que, mesmo em casos que envolvam pouco ou quase nenhum planejamento, sempre conseguem viabilizar os projetos. “Talvez seja necessário um pouco dessa improvisação no Canadá. Mas é preciso ter consciência de que muitas vezes um projeto sem planejamento pode ter custos maiores”, analisa.

Nessa mesma linha, o professor Yvan reforça a importância de não se perder de vista os valores e objetivos da instituição. “Podemos ter várias ideias, mas sabemos que não podemos fazer tudo. E se decidirmos colocar todas em prática, haverá perdas, porque não conseguiremos fazer tudo bem feito, algumas ficarão atrasadas. Quais são os nossos objetivos? Essa ideia está contribuindo de alguma forma para que eles sejam atingidos? Se não, vamos descartar isso”, ensina.

O intercâmbio de tantas boas ideias e ferramentas para a gestão de organizações civis é essencial para o Adus, que em tão pouco tempo cresceu e já conseguiu ajudar centenas de refugiados. Victor complementa: “Desde o começo temos esse ímpeto de ir lá e fazer, ajudar no que for preciso, mas sabemos que para sermos uma instituição sustentável precisamos ficar mais atentos a tudo isso que foi dito hoje”.

 

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