Voluntária do Adus conta experiência vivida em campos de refugiados na Grécia
9 de junho de 2017
Refugiados têm dificuldade para trabalhar no Brasil
22 de junho de 2017
Mostrar tudo

Dia Mundial do Refugiado

Texto: Carla Mustafa – Diretora do Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado

A data de 20 de Junho foi escolhida pela Organização das Nações Unidas para homenagear e dar visibilidade a todas as pessoas que se encontram em situação de refúgio. No mundo, estima-se que mais de 65.6 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar, sendo que 22.5 milhões são refugiados, 40.3 milhões de deslocados internos e 10 milhões são apátridas.

No contexto nacional, quase 10 mil pessoas de 79 nacionalidades foram reconhecidas como refugiadas e cerca de 10.500 pessoas aguardam a decisão sobre sua solicitação de refúgio apenas neste ano, segundo dados do CONARE (Comitê Nacional para Refugiados).

Refugiados são pessoas comuns (homens, mulheres e crianças de todas as idades) que foram forçadas a abandonar seus lares devido a conflitos armados, violência generalizada, perseguições religiosas ou por motivo de nacionalidade, raça, grupo social e opinião política. Eles buscam refúgio em outros países para reconstruir suas vidas com dignidade, justiça e paz. Trazem consigo nome, identidade, etnia, cultura, religião, profissão e a esperança de um futuro melhor que ultrapassam fronteiras e estereótipos, porque a pessoa está em situação de refúgio, sua singularidade não é refugiada.

O Brasil é signatário de diversos tratados Internacionais sobre a questão do Refúgio, o que significa que estamos vinculados política e juridicamente a um acordo de vontades e que temos responsabilidades. Mais do que este compromisso com o sistema internacional, o país acolhe refugiados por uma questão humanitária, já que a Constituição Federal determina alguns princípios, objetivos e fundamentos como a dignidade da pessoa humana, a cidadania, a prevalência dos direitos humanos, a defesa da paz, a construção de uma sociedade livre, justa e igualitária e a promoção do bem estar de todos, sem preconceito de raça,sexo, cor, idade e quaisquer formas de discriminação.

O ADUS tem como missão apoiar pessoas em situação de refúgio e análoga ao refúgio a enfrentar os obstáculos políticos, jurídicos, econômicos e sociais que dificultam a integração delas na sociedade. A falta de uma rede de contatos, o desconhecimento da língua e cultura brasileiras, traumas, abrigamento e moradia, documentação, validação de diplomas, emprego, discriminação, preconceito e intolerância são desafios a serem superados com a colaboração de todos: Poder Públicos, instituições, sociedade civil e os próprios refugiados.

Neste dia, façamos uma reflexão de como o refúgio afeta de maneira diferente milhares de pessoas e como podemos ser facilitadores nesse processo, uma vez que na adversidade, muitos encontram oportunidade de recomeço.

Comments are closed.