Documentário mostra a jornada de refugiados palestinos que vieram para o Brasil

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Documentário mostra a jornada de refugiados palestinos que vieram para o Brasil

O refúgio é tema de mais uma sessão de cinema, dessa vez no Cine Direitos Humanos

O documentário A Chave da Casa mostra as últimas 48 horas de alguns palestinos no campo de Al Rweished, na fronteira entre a Jordânia e o Iraque, e a chegada deles ao Brasil, que os acolhe em 2007. Entre as narrativas sobre as duras condições no campo, vários dos protagonistas falam das expectativas decorrentes da viagem para o Brasil, que representa o fim da liberdade comprometida e a garantia dos direitos básicos: segurança, identidade, trabalho digno, educação para os filhos e filhas, até mesmo o direito a sonhar, pois no campo ficava restrito, comenta um dos personagens.

 Cena do documentário A Chave da Casa

Meses depois da viagem, algumas famílias mostram a nova situação em diferentes cidades brasileiras. Embora haja a distância dos familiares e as dificuldades com a aprendizagem da língua ou a procura de emprego, eles são gratos ao País que lhes acolheu e que agora passa a formar parte de uma identidade múltipla. Aqui eles já podem falar que são palestinos sem ter que se esconder. “A Palestina é a ‘pátria roubada’”, nas palavras de um dos protagonistas, que os obriga a um “eterno exílio”. Alguns deles sonham em retornar ao seu país, apesar das perspectivas serem mínimas.

A projeção do documentário no evento Cine Direitos Humanos do SMDHC
(Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo) foi seguido por um bate-papo com a diretora Stela Grisotti e com a presença do doutor Isam, um dos protagonistas do filme, e do refugiado colombiano David. Ele aproveita para alertar que o Brasil precisa de políticas públicas específicas que concretizem as leis de refúgio, pois só as leis não conseguem acolher de maneira apropriada.

Isam, por outro lado, destaca o fato do Brasil reconhecer os refugiados palestinos como tais, e não como “apátridas” como acontece em países como o Canadá. Sobre o tema dos direitos e a identidade, ele reitera que aqui no Brasil “eu me sinto mais palestino do que lá”, nas palavras dele.

Texto: Marina Girona / Imagem: Divulgação / Edição de Texto: Lanna Dogo

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