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Haiti, La Perle des Antilles

Cabo Haitiano, comuna do Haiti / Foto: Wikipedia

A beleza natural deu ao Haiti o apelido de La Perle des Antilles, A Pérola das Antilhas em português, quando era uma das colônias francesas. Descoberto por Cristóvão Colombo em 1492, o território foi cedido pela Espanha apenas em 1697. É o terceiro maior país do Caribe, depois de Cuba e República Dominicana, tem cerca de 10 milhões de habitantes e uma história recente conturbada.

O Haiti foi a segunda nação da América Latina a ter independência, em 1804, inspirando uma série de revoltas no continente que incentivaram outros países a lutarem pela própria independência. Mas o feito que encheu seu povo de orgulho também trouxe consequências negativas. Para ser considerado um país independente, o Haiti foi obrigado a pagar uma indenização de 90 milhões de francos (equivalente a 40 milhões de reais) à França. Paga apenas em 1947, seria uma forma de compensar os antigos donos de escravos da região e até hoje é questionada.

Entre 1915 e 1934, a Pérola das Antilhas foi ocupada pelos Estados Unidos, como forma de evitar o domínio alemão no local durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1957, François “Papa Doc” Duvalier foi eleito presidente da República, mas instaurou o terror com a milícia armada, os tonton macoutes (bicho-papão em creole). O ditador faleceu em 1971, deixando o cargo para o filho Jean-Claude, ou “Baby Doc”, que tinha apenas 19 anos. Ele fugiu para a França em 1986. Mais de 30 mil pessoas morreram e 15 mil desapareceram no decorrer dos 29 anos de regime.

A democracia veio apenas em 1990, com o padre salesiano Jean-Bertrand Aristide sendo eleito presidente. Mas as revoltas não deixaram de acontecer: Aristide foi derrubado em 1991 por um golpe de estado liderado pelo general Raul Cedras. Com ajuda dos norte-americanos, em 1994, Aristide voltou ao poder com uma economia já enfraquecida.

Em 2004, tropas de paz da ONU foram enviadas ao país para reconstruir e manter a ordem. Nesse mesmo ano, um período de violência tomou conta da Pérola das Antilhas com ex-integrantes da tonton macoutes incitando o terror na população já fragilizada. A democracia foi restaurada apenas em 2006 – hoje, o presidente é o cantor Michel Martelly, eleito com 68% dos votos após se tornar conhecido graças ao seu trabalho na música.

Em 2010, uma nova reviravolta afetou o país: um terremoto de magnitude 7.0 na escala Ritcher destruiu a capital Porto Príncipe e as cidades próximas, matando mais de 200 mil pessoas e deixando 1,5 milhão de desabrigados e 250 mil feridos. Dez meses depois do desastre natural, um surto de cólera surgiu graças às condições precárias deixadas pelo terremoto, matando cerca de 8 mil pessoas. Como se não bastasse, um novo desastre: Furacão Sandy, que deixou mais de 50 haitianos mortos e 20 desaparecidos em 2012.

Apesar de a ajuda internacional ter sido importante para reconstruir o país, ainda há problemas. Até mesmo as doações internacionais, por exemplo, têm sido alvo da corrupção – pouco do dinheiro chega a quem realmente precisa. Por exemplo, a cada dólar doado pelos Estados Unidos, apenas um centavo chega às mãos dos haitianos. A instabilidade política, violência e as tensões entre grupos locais também prejudicam a recuperação.

Enquanto isso, a população sofre com a infraestrutura degradada e a situação de miséria que se instalou. A esperança resiste no potencial turístico e na exportação de produtos como cacau, café e manga. Porém, o desemprego ainda é alto – cerca de 40%, de acordo com a Trading Economics –, fator que tem forçado muitos haitianos a migrar para países próximos. Entre eles, o Brasil.

Por causa do terremoto, em 2010, o Brasil passou a conceder visto humanitário aos haitianos, que permite que eles trabalhem e estudem – a situação de refúgio não se aplica aos desastres naturais. Embora a mensuração seja complicada, estima-se que cerca de 30 mil haitianos viviam no Brasil em 2014, de acordo com dados do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), a maioria deles empregada na construção civil.

A língua portuguesa costuma ser um dos maiores obstáculos para os haitianos, cujo país tem, como línguas oficiais, o crioulo haitiano e o francês. A dificuldade para revalidar diplomas, o desconhecimento da legislação trabalhista, os salários baixos e os obstáculos emocionais naturais de uma mudança como esta também afetam os migrantes.

Mas uma das maiores dificuldades enfrentadas tem sido a falta de preparo das cidades brasileiras para receber os haitianos, que chegaram em grande número em um período relativamente curto. Chegando ao país e obtendo o visto, eles precisam se restabelecer, principalmente com a ajuda da sociedade civil. É por meio de instituições e ONGs, como o Instituto de Reintegração do Refugiado – Adus, que eles têm acesso às informações, educação e apoio necessários para recomeçar.

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