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Haitiano mostra seu talento em exposição de quadros no Paraná

Há dois anos no Brasil, Dady Simon apresenta suas impressões sobre o país

Dady posa com a maleta que ganhou da professora Mari, do Adus

Dady Simon não vê a hora de a próxima quinta-feira chegar. Nesse dia, o haitiano de 32 anos, mostrará seu talento na exposição que fará no Centro da Juventude de Foz de Iguaçu, no Estado do Paraná.

Ex-guia turístico, Dady deu as primeiras pinceladas ainda no Haiti, aproveitando a visita dos turistas estrangeiros em Porto Príncipe para oferecer sua arte. “Eu tenho quadros na Espanha, Bélgica e no Brasil!”, conta todo sorridente.

Mas a situação econômica do Haiti, abalado pelo terremoto de 2010, forçou Dady e outros milhares de haitianos a saírem da ilha para tentar a sorte em outros países.

Quando chegou ao Brasil, o haitiano se esforçou para aprender o idioma o mais rápido possível para se integrar e conseguir um emprego. “Eu queria falar bem o português. Em três meses falava bem”, explica. E ele revela o segredo do rápido aprendizado, facilitado pelo conhecimento da língua espanhola: “Eu passava as madrugadas estudando”. O que o motivava? “Eu queria falar e conversar, para encontrar novos amigos e me sentir feliz”.

E o haitiano filosofa sobre a felicidade: “Normalmente as pessoas procuram a felicidade. Mas ser feliz vem naturalmente”. E ensina: “Cultivar sonhos, saber respirar, agradecer primeiramente a Deus, à vida que ele me deu, e também cumprimentar as pessoas”.

Carnaval
Foi no Brasil que Dady teve contato com outro motivo de felicidade: o carnaval. “Vi a beleza da arte do carnaval na Mocidade Alegre. Fiquei babando”, conta empolgado. “Vocês têm o carnaval mais bonito do mundo”, se derrete. O haitiano se envolveu no mundo do samba por quatro meses. No barracão ele varreu, desfilou e “fez de tudo”.

 Simon está ansioso para mostrar sua arte em Foz do Iguaçu

Dady também fez de tudo no Adus. Desde aulas de português, até traduções para o francês durante os eventos da ONG. “O Adus me ajudou a falar, depois a encontrar outras pessoas, conhecer outra cultura. Adus sempre abre as portas para todos, sem preconceitos. Todos são bem-vindos. É um lugar acolhedor. Foi lá que encontrei meus professores que me motivaram a voltar a pintar”.

O artista haitiano apóia a mão no queixo e relembra: “Lá tem o Marcelo, a professora Mari, a Ana e o Daniel, que me ajudaram bastante na minha arte”.

Emocionado, Dady mostra uma maleta de madeira, recheada com tintas a óleo e pincéis: “A primeira pessoa que me incentivou foi a Mari (Mafalda Mari Boselli, professora voluntária de português do Adus). Ela me deu a maleta que foi do pai dela”. O haitiano conta que queria voltar a pintar, mas não tinha condições de comprar o material. Em uma aula, a professora entregou o presente ao aluno. “Esta maleta me traz oportunidades e energia positiva. Agora posso tocar no mesmo pincel que pertenceu a um artista que já viveu e foi conhecido. É uma honra”.

Após mais de um ano vivendo em São Paulo, trabalhando em um supermercado, Dady resolveu mudar-se para o gelado Estado do Paraná. “É que agora estou fazendo um curso focado em ecobiodiversidade”, conta todo animado. E a maleta foi junto com o artista plástico que fará sua primeira exposição em Foz do Iguaçu: “O Brasil é um país que me inspira muito. A natureza, o povo…”, comenta. “Minha estrela tem que brilhar. Se está escondida ninguém vai saber que você existe”, filosofa Dady.

Serviço
Exposição de quadros de Dady Simon
Data: 7 de maio, a partir das 9h
Local: Centro da Juventude: rua Vicente Celestino, 410 – Jardim Naipi – Foz do Iguaçu

Texto: Erika Omori / Fotos: Eva Bella

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