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Ameneh está prestes a se casar, mas há algo ainda mais urgente que ela quer fazer: concluir seu curso de Direito. Esse pesamento é incomum para uma menina do Afeganistão, país onde  casar-se é o máximo que a maioria das mulheres pode desejar.

Mas a família da refugiada afegã de 25 anos é a apóia muito e concorda que uma boa educação é vital para uma vida satisfatória. Alguns de seus irmãos sacrificaram os próprios projetos, trabalhando para ajudar a pagar os custos da universidade em que Ameneh estuda na cidade iraniana de Qom, onde nasceu depois que seus pais fugiram dos conflitos no Afeganistão.

(Foto: ACNUR)

Seria difícil obter educação superior sem a ajuda que ela tem recebido da Iniciativa Acadêmica para Refugiados Albert Einstein, da Alemanha, conhecida como DAFI. O projeto financiado pela Alemanha é administrado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e visa promover a auto-suficiência dos refugiados e aumentar suas chances de encontrar uma solução duradoura. O projeto já ajudou milhares de pessoas nas últimas duas décadas.

“O ACNUR encoraja e apóia projetos de educação para que refugiados se tornem profissionais como médicos, engenheiros, professores”, disse Bernie Doyle, representante do ACNUR na República Islâmica do Irã. “A força de trabalho de jovens instruídos é necessária para a reconstrução de um país”, acrescentou.

Ameneh concorda, e por esse motivo se candidatou a uma bolsa DAFI depois de terminar o ensino médio em Qom. Ela conseguiu a bolsa e agora está no terceiro ano de um curso de bacharel em Direito de quatro anos de duração. “Usamos o dinheiro para cobrir os custos com as mensalidades. Sem ele, eu não conseguiria frequentar a universidade e apenas ficaria em casa fazendo trabalhos domésticos”, disse Ameneh, que vive com a família.

Ela planeja se casar – depois de se formar-, mas não quer se tornar uma dona-de-casa, o que seria o normal para a maioria das mulheres no conservador Afeganistão. Ela e o noivo também pretendem um dia se mudar para o Afeganistão e ajudar a reconstruir o país de onde seus pais fugiram em 1979, após a invasão soviética. Mais de 850 mil pessoas voltaram para o Afeganistão com a ajuda do ACNUR desde o início de 2002, mas algumas partes do país ainda são perigosas.

Esmaiel, noivo de Ameneh, apoia os sonhos da refugiada e sua decisão de esperar até que se forme para casar. Eles estão noivos há 18 meses e Ameneh foi atraída pela mente aberta de Esmaiel sobre a educação para mulheres. Ele faz um curso de Fisioterapia em Teerã.

“Ele pretende continuar com os estudos de pós-graduação e depois voltar para o nosso país, onde há grande necessidade desses profissionais”, explicou Ameneh. “Eu também gostaria de ajudar, mas por ser uma mulher meus planos são dependentes dos dele”, acrescentou.

Sua família e os cinco irmãos e irmãs sempre apoiaram Ameneh, que é a primogênita. Apesar de terem diplomas do ensino médio, dois de seus irmãos trabalham para ajudar a pagar alguns dos custos dos cursos de Ameneh e de outra irmã, que também está na universidade. O pai delas foi ferido em um acidente de fábrica e não pode mais trabalhar, e os dois filhos mais novos ainda estão na escola.

A educação é muito importante para todos os refugiados afegãos, já que traz esperanças de um futuro melhor. Também é prioridade do ACNUR ajudar crianças deslocadas a ter acesso, pelo menos, à educação primária. O DAFI é o maior projeto de educação terciária no qual a agência está envolvida.

No Irã, cerca de 30 a 60 refugiados se formam todos os anos em áreas como medicina, agricultura e línguas, apoiados por bolsas do ACNUR. Neste ano, o programa DAFI está ajudando cerca de 160 alunos do Afeganistão e do Iraque no Irã. O escritório do ACNUR no Iraque organiza um encontro anual para todos os bolsistas DAFI do país.

Por Dina Faramarzi em Teerã, República Islâmica do Irã

Fonte: ACNUR

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