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No Irã, projeto do ACNUR assiste jovens refugiados com dificuldades

Antes de ir à escola, Narges tem que ir para o trabalho. A tranquila refugiada afegã de 15 anos de idade trabalha como empregada doméstica para ajudar a sustentar sua mãe, que foi abandonada há quatro anos por um marido violento e  usuário de drogas.

Mas para Narges, passar mais tempo na sala de aula do que no trabalho é uma razão para ser otimista. Após receber ajuda de um programa para crianças de rua e crianças trabalhadoras financiado pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), Narges espera terminar o ensino médio e cursar uma universidade.

(Foto: ACNUR)

“Eu trabalho arrumando a casas das pessoas”, disse. “Só consigo aguentar porque sei que depois vou para a escola.”

O divórcio dos pais deixou a família sem casa e em condições miseráveis??. Ela, sua mãe e o irmão mais novo foram obrigados a se abrigar em uma fazenda. Para sobreviver, mãe e filha encontraram trabalho limpando casas.

Sua mãe temia que Narges pudesse se envolver com drogas ou fugir, e por isso aceitou rapidamente uma oferta de ajuda oferecida pela organização de caridade Hamian-e-Rah-e-Zendegi. A ONG implementa um projeto do ACNUR para proteger  crianças de rua e crinças trabalhadoras, muitas das quais são refugiadas afegãs que vivem na cidade de Qom. Por meio do  programa Narges recebe apoio psico-social individual e em grupo, e a família também tem recebido ajuda financeira.

“Eu me sinto muito melhor agora”, disse suavemente. “Os facilitadores do projeto incentivaram minha mãe a não me mandar sempre para o trabalho e a me deixar concentrar mais nos meus estudos. Eles me ensinaram como manter um equilíbrio entre estudo e trabalho e a como lidar melhor com os problemas que enfrento. A situações que eu vivo no trabalho…”, disse, incapaz de terminar a frase.

Como parte do projecto do ACNUR, a ONG iraniana fornece aconselhamento psico-social e,  em alguns casos, assistência financeira a crianças vulneráveis??.

As crianças são identificadas com o auxílio da comunidade de refugiados afegãos e também pela entidade governamental Organização do Bem-estar Social , parceira direta do ACNUR na implementação do projeto.

“A população afegã, especialmente mulheres  de todas as idades, tem demonstrado um grande interesse nesse projeto”, disse Akram Sharifi, um dos organizadores do programa. “Inicialmente estávamos usando métodos  como a premiação dos estudantes e a doação de itens de papelaria, livros, com o objetivo de incentivá-los a participar das aulas. Mas agora são eles que nos procuram pedindo para ter aulas adicionais.”

Gholam é outro garoto de 15 anos de idade que foi ajudado pelo projeto. Ele perdeu o pai antes de nascer e sua mãe durante o parto. Foi adotado por seu tio que o criou como um filho. Apesar de ter sido criado por um tio carinhoso e  entre irmãs amorosas, Gholam, que começou a trabalhar com 12 anos, era inseguro e tinha dificuldades em se relacionar com os outros.

“Eu era tão tímido que durante a minha sessão de aconselhamento me disseram para escrever  as palavras ‘eu posso’ muitas vezes ao dia e repeti-las sempre que eu me sentisse desconfortável.”

Bernard Doyle, representante do ACNUR no Irã, disse que “muitos refugiados afegãos vivem em péssimas condições econômicas e muitas vezes a família toda, incluindo as crianças, tem que trabalhar. Essas crianças crescem  nas ruas e muitas vezes são expostas a riscos, tais como abuso, doenças e problemas mentais. Programas como o de Qom são elaborados para melhorar a situação dessas crianças e  impedir uma possível exploração . ”

O projeto para crianças de rua permitiu que mais de 40 jovens pudessem lidar melhor com circunstâncias trágicas e muitas vezes traumáticas. O ACNUR planeja promover outros projetos similares no Irã em 2012.

Por Dina Faramarzi, em Qom (Irã)

Fonte: ACNUR

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