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No mês da mulher, conheça a história da jovem Aziza

Em meio a tanta tristeza, uma esperança é renovada no Brasil

Aziza mostra seu talento maquiando as convidadas do Bazar Mulheres e Refúgio organizado pelo Adus

Uma garota cheia de sonhos. Uma jovem que nunca imaginou que deixaria seu país tão de repente e de uma forma tão impactante, mas que encontrou no Brasil todo conforto que precisava.

Aziza, que optou por não dar o sobrenome já que seu pai ainda está na Síria, tem apenas 19 anos. Chegou ao Brasil há três anos com a mãe e as duas irmãs mais novas e luta para recomeçar a vida. A saída da Síria e a adaptação a uma cultura totalmente diferente foram os primeiros obstáculos. “Foi bem complicado no começo. Tive que aprender português sozinha e a me acostumar com a ausência da minha família e amigos. Até me acostumar com a comida foi complicado, mas agora estamos bem adaptadas”, contou Aziza.

A jovem frequentou poucas aulas de português, mas conseguiu aprender o idioma no dia a dia e hoje trabalha como estoquista em uma loja de lingerie, junto com sua irmã Abir. É dessa maneira que elas sustentam a casa, já que a mãe ainda tem muita dificuldade com o idioma e não consegue trabalho.

Aziza participou do último bazar Mulheres & Refúgio do Adus, Instituto de Reintegração do Refugiado, realizado no começo de março. Ela mostrou seu talento em deixar as mulheres mais bonitas. A maquiagem árabe, que a garota aprendeu a fazer na Síria sem a ajuda de nenhum curso, encantou as convidadas. “Fiquei feliz de poder mostrar o meu trabalho, e é uma ajuda para complementar a renda de casa”, comemorou.

O principal objetivo de Aziza e suas irmãs é terminar os estudos, que precisaram interromper por conta da mudança para o Brasil e a rotina corrida de trabalho. O sonho dela é estudar teatro e se tornar uma grande atriz.

A saudade do país ainda existe dentro do coração da jovem, e a preocupação também, já que o pai ficou na Síria. Sem poder deixar para trás tudo o que a família construiu na Síria, ele ainda não consegue se juntar à família. Apesar de tudo, Aziza tem a esperança de ser muito feliz vivendo no Brasil. “Fomos muito bem acolhidos e pretendemos ficar por aqui. Todo recomeço é difícil, mas não podemos desistir”.

Texto e fotos: Alethea Rodrigues

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