Primeiro encontro de culinária do Adus traz quitutes preparados por família da Síria

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Amiga Yasmin Silva dos Santos
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Primeiro encontro de culinária do Adus traz quitutes preparados por família da Síria

“É a primeira vez que dou aula de culinária, mas disseram que foi tudo bem e gostaram”, conta o ‘chef’ Talal Al-tinawi

 Alunos aprendem a preparar pratos sírios na 1ª edição do Sabores e Lembranças

Em meio à música e ao cheiro delicioso de comida fresca começa a aula de culinária da família Al-tinawi, refugiados sírios que vivem no Brasil há um ano e seis meses. Os mais de 35 alunos presentes na primeira edição do Sabores e Lembranças se concentraram na sede da Casa da Cidade, parceira do instituto Adus, para aprender os truques dos nativos de Damasco na preparação de tabule e kebab híndi.

Bem humorado, Talal Al-tinawi aparece vestindo um avental estampado com a bandeira do Brasil. Ao lado da esposa Ghazal e com a ajuda de seus filhos na hora de encontrar a palavra certa em português, ele apresenta os ingredientes e aproveita para contar sobre os costumes alimentares da sua terra natal. “Hoje vamos usar carne de boi, mas na Síria é comum cozinhar com carne de carneiro. Nunca usamos carne de porco, porque somos muçulmanos”, explica o cozinheiro.

Ao longo da aula, que também teve a parceria da empresa de fogões Layr, os alunos tiveram a oportunidade de perguntar sobre os hábitos da família na Síria, como os tipos de pratos que comiam em casa. “Igual aqui, como arroz e feijão todo dia, não tem na Síria. Lá temos mais de cem pratos diferentes que podemos fazer diariamente. Só repetimos o mesmo prato de mês em mês”, responde Talal.

O assunto durante a aula não ficou só em comida. Os alunos também quiseram saber o que a família Al-tinawi mais apreciava no Brasil. “Aqui no país de vocês todo mundo nos ajudou, desde o momento que chegamos até agora”, confessa o sírio.

‘Chef’ Talal

Ao chegar refugiado com sua família em dezembro de 2013, o engenheiro mecânico Talal buscou aprender português nas aulas de uma mesquita. Como ainda não pode exercer sua profissão de formação, recebeu apoio dos voluntários do Adus para tornar suas habilidades gastronômicas em negócio.

“É a primeira vez que dou aula de culinária, mas disseram que foi tudo bem e gostaram”, ele conta. “Comecei vendendo comida árabe, como no bazar promovido pelo Adus, e recebi muita divulgação do meu negócio lá. Esses eventos me ajudam, porque as pessoas fazem o boca a boca. Além disso, o Adus criou uma página no Facebook para mim, e isso tem sido muito bom”, explica Talal.

A melhor parte do Sabores e Lembranças ficou para o final da aula de culinária: provar o gosto de tudo o que foi ensinado. Foram servidos pratos fartos de kebab híndi com arroz sírio, tabule e um refresco feito de xarope de romã, raspas de limão siciliano e hortelã. Na hora de comer, os alunos ainda puderam conversar com a família Al-tinawi e tirar suas dúvidas.

“Gosto bastante de culinária e foi bem interessante poder aprender com quem é do país,” afirma a aluna Tânia Lisboa. “Conheci algumas peculiaridades, como temperos que a gente utilizava de um jeito, por desconhecimento, e hoje descobri que é de outro.”

Além da boa comida, o evento foi uma oportunidade para trazer esclarecimentos sobre quem são os refugiados.

“Acho interessante, porque hoje temos um boom de imigrantes no Brasil, e essa é uma maneira de entender um pouco a situação deles e saber lidar com o fato aqui no nosso país,” contou Lucas, aluno participante do evento que também adorou conhecer mais sobre a Síria.

O Sabores e Lembranças acontecerá uma vez por mês, trazendo famílias de outros países para compartilharem sua culinária e cultura. A partir da próxima edição, o encontro também contará com um chefe brasileiro como parceiro e mediador das aulas.

Quem não foi ao evento poderá conhecer as delícias árabes preparadas pela família Al-tinawi em sua página de Facebook: Talal Comida Síria.

Fique por dentro dos próximos eventos do Adus

13 e 14 de junho – será a 2ª edição do Bazar Solidário. Além da venda de roupas, livros e CDs em ótimo estado, estarão presentes duas famílias sírias, uma preparando os salgados e a outra os doces, e uma família de haitianos. A intenção é arrecadar fundos para o instituto Adus e para as famílias.

4 de julho – acontece a 2ª edição da Copa dos Refugiados, no Colégio Santa Cruz.

5 de setembro – a Festa Multicultural trará comidas, músicas e danças de vários países, representados pelos refugiados.

Ainda sem data marcada, no fim do ano o instituto Adus preparará uma festa especial para as crianças.

Texto: Stefanie Zorub e Kelly Alves / Fotos: Anderson Boeira

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