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Refugiados árabes chegam cada vez mais doentes à Europa

Guerras e revoluções expulsam milhares de pessoas do norte da África

As recentes revoluções do mundo árabe, no norte da África, expulsam milhares de imigrantes que se veem obrigados a arriscar a vida duas vezes. A primeira é dentro do próprio país, em guerra, e a segunda é ao dividir barcos precários e lotados, cujo destino maior é a ilha italiana de Lampedusa.

Quem acompanha a saga desses fugitivos, como a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), denuncia que é cada vez pior o estado do imigrante que tem a sorte de chegar ao território europeu com vida.

Desde o fim do ano passado, vieram cerca de 27 mil refugiados norte-africanos em busca de abrigo na Itália, de acordo MSF, provenientes da Líbia e Tunísia, mas de diferentes origens da África saheliana (região ao sul do deserto Saara). Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), só da Líbia, que enfrenta uma guerra civil desde fevereiro, cerca de 14 mil atracaram em Malta e na Itália.

Despreparada para receber tanta gente, a ilha italiana se viu à beira de uma crise humanitária. Em entrevista ao R7, o diretor geral do MSF na Itália, Kostas Moschochoritis, disse que o volume de chegadas já diminuiu, porém o estado físico e mental dos refugiados está mais degradante.

– A situação em que esses imigrantes chegam à Lampedusa está piorando. As condições nesses países estão muito duras, e não são melhores durante a viagem até a ilha. Barcos têm naufragado, as pessoas passam fome, sede e vêm abarrotadas.

Dependendo das condições climáticas, a viagem de dois a três dias pode se estender para até uma semana. Assim, relatos de naufrágios e mortes também são cada vez mais constantes.

Em depoimento ao MSF em Lampedusa, um adolescente somaliano de 17 anos, não identificado, relatou momentos dramáticos a bordo do navio.

– Eu estava ferido no rosto quando o barco começou a afundar. Realmente tive que lutar para sobreviver. Então, a guarda costeira nos levou. Eles resgataram os três de nós, mas muitos não tiveram a mesma sorte.

Despreparo italiano leva a situação caótica
Organismos internacionais, como o MSF e a ONU, não economizaram críticas ao despreparo da Itália em receber esses refugiados. No pico da imigração, em março, 3.000 dormiram no porto de Lampedusa por vários dias munidos de cobertores e partilhando apenas 16 banheiros químicos, com acesso a ínfimos 1,5 litros de água por dia.

Moschochoritis diz que a organização fez um apelo às autoridades italianas para desenvolver uma estratégia concreta e garantir uma recepção humana para os migrantes, particularmente aos mais vulneráveis, incluindo mulheres, crianças e menores não acompanhados.

Uma das maiores preocupações é a falta de separação adequada entre mulheres e homens nos abrigos, o que tem gerado vários relatos de abusos sexuais. Uma tunisiana conta que quase sofreu um ataque enquanto ia ao banheiro, durante a noite.

– Um homem me seguiu até o banheiro. Eu empurrei ele, fugi e gritei. Os homens pulam o muro e entram no nosso quarto. Estamos com medo à noite, não podemos dormir. A polícia não faz nada.

Para Moschochoritis, a Itália e a Europa poderiam ter previsto esse aumento migratório e, agora, têm o dever de evitar que a mesma crise humanitária aconteça novamente. A região historicamente recebe imigrantes africanos, tanto que ONGs internacionais estão lá desde os anos 90.

– O MSF está bastante preocupado com a falta de preparação para os que continuarão a chegar nas próximas semanas e meses.

Apesar da tida “imigração em massa”, a Europa recebeu menos de 2% dos que fugiram da Líbia até agora, segundo a ONU, e a atual discussão na União Europeia gira em torno do princípio de livre circulação nos 25 países do bloco.

A Dinamarca já anunciou que restabelecerá os controles permanentes de suas fronteiras a fim de lutar contra a imigração ilegal e o crime organizado. Dessa forma, ela fere o tratado de Schengen, que permite as pessoas de circular entre todas as nações como se estivessem em um único país.

A Itália, a princípio, criticou medidas de controle, mas passou, juntou de países como França e Alemanha, a defender mudanças no tratado.

Fonte: Portal R7

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