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Tem 54 anos, é oriunda da cidade síria rebelde de Yisr al Shughur e se chama Zahia Bustani, mas no campo de refugiados turco onde vive há quase um ano lhe puseram outro nome: “Revolução”. “Pedi aos meninos que me dessem um fuzil: eu também queria sair e combater”, lembra Zahia em declarações à Agência Efe, enquanto dá uma tragada em um charuto. Não deixaram que ela saísse.

“Durante meses, eu ia e vinha do acampamento fronteiriço até minha casa na cidade rebelde para levar comida aos jovens que combatiam contra o Exército”, conta. “Temos que lutar todos, homens e mulheres, porque o regime também não respeita ninguém e mata até os bebês no berço”, lamenta em tom combativo.

Zahia Bustani é uma das muitas refugiadas que não se arrependem de terem perdido tudo em troca de uma revolução cujo fim é ainda incerto. Outra é N. W. – que prefere não dar seu nome completo -, uma jovem de Salqin, na província de Idlib, que chegou à Turquia há apenas duas semanas.

“Queimaram nossa casa, perdemos todas nossas lembranças, não restou nem o vestido de noiva da minha irmã… mas é melhor perder tudo que deixar de sonhar com a liberdade”, garante esta estudante de Farmacêutica de 20 anos.

N.W. relata os abusos dos “shabbiha”, milicianos aliados ao regime de Bashar al Assad. “Um dia dispararam contra a multidão na rua, mataram uma dezena de pessoas. Finalmente, os membros do Exército Sírio Livre (ESL) entraram na cidade para pôr fim aos abusos. Mas a paz durou apenas quatro dias. No quinto chegaram as tropas do regime”.

A batalha durou dois dias e milhares de moradores fugiram à vizinha Turquia, a poucos quilômetros de distância. “Havia tanques disparando por todas as partes e os helicópteros nos sobrevoaram, foi muito duro”, recorda.

Uma vez na Turquia foram recebidos no acampamento de Boyunogun, mas ficaram ali poucas horas. Diante da perspectiva de serem transferidos à outra província, como todos os recém chegados, preferiram fugir de novo e buscar refúgio nas casas de amigos na cidade de Antioquia.

“Somos ilegais”, admite N.W. “Se a Polícia nos descobre, nos mandam à força ao acampamento de Sanliurfa”, um lugar que adquiriu má fama entre os refugiados por suas péssimas condições de vida. “Quando vemos um policial, tentamos nos afastar, mas até agora não nos pararam”, completa.

O de Boynuyogun é o único acampamento para civis da província de Hatay que não está em processo de desmantelamento, e seus residentes desfrutam de liberdade para sair e entrar. Um deles é Abu Hamza, um desertor que prefere identificar-se apenas com este nome, uma vez que tem parentes na Síria e teme que o regime empreenda represálias contra eles.

A repressão contra as famílias dos desertores é um dos motivos principais pelos quais muitos soldados se mantêm ainda em seus postos, assegura este homem de 28 anos, que serviu na unidade de radares da Força Aérea, onde não participou dos combates.

“No Exército estamos quase todos a favor da oposição, 90% estamos contra o regime, mas temos medo: fugir não é fácil. Eu pedi uma permissão de três dias, subornei um oficial, viajei ao norte e passei aos territórios sob domínio do ESL, de onde é fácil chegar até a Turquia”, relata.

Braa Albushi, um braço direito do ESL, disse por telefone desde Damasco que grande parte da periferia da cidade vive seu sexto dia de lutas populares e bombardeios. “90% dos moradores do bairro El Tell fugiu, mas o regime não lhes permite entrar em Damasco”, denunciou o oficial à Efe.

“O Exército não distingue entre combatentes e civis. Por isto, o ESL agora tenta fortalecer-se em áreas desabitadas ao redor de Damasco. Além disso, não tentamos manter o controle de um bairro porque sabemos que seria arrasado: preferimos entrar, lutar e retirar-nos”.

Uma situação similar se vive agora em Aleppo, a segunda maior cidade síria, onde os rebeldes se entrincheiraram em dois bairros ao sudoeste e dois ao nordeste, detalhou outro ativista por telefone. Em um ponto todos concordam: A queda de Assad é iminente. “Voltaremos à Síria, e será muito em breve”, concluiu

Fonte: Terra

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