Refugiados se tornam professores de cursos de idiomas e cultura em São Paulo

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Refugiados se tornam professores de cursos de idiomas e cultura em São Paulo

No mês de julho, paulistanos poderão participar de cursos intensivos de inglês, francês, espanhol e árabe ministrados por refugiados sírios e congoleses

Sala de aula onde o curso será realizado

Entre os dias 6 e 30 de julho, será ministrada na cidade de São Paulo a primeira edição do projeto Abraço Cultural, resultado de uma parceria entre a plataforma social Atados e o Adus (Instituto de Reintegração do Refugiado no Brasil). Por meio de um método inovador de ensino, refugiados de diversas nacionalidades serão professores de inglês, francês, árabe e espanhol.

“A ideia do Abraço Cultural surgiu em junho de 2014 quando o Atados e o Adus organizaram a Copa do Mundo dos Refugiados em São Paulo. Na época, muitos brasileiros se interessaram por um contato mais próximo com a cultura deles”, destaca André Cervi, um dos cofundadores do Atados.

A diversificada bagagem cultural que chega com cada refugiado e a familiaridade com outros idiomas são algumas das características mais importantes do projeto, que visa não apenas difundir o ensino de outras línguas, mas também aproximar pessoas de diferentes culturas.

Na primeira edição, os cursos intensivos terão uma carga horária de 35 horas. Eles estão divididos nas seguintes modalidades: francês e inglês com foco na cultura africana, espanhol com foco na cultura latina e árabe e inglês com foco na cultura árabe.

Com material didático próprio, o método de ensino inovador vai além do aprendizado de outro idioma e oferece aos alunos workshops temáticos que irão se aprofundar nos aspectos históricos, políticos e culturais do país de origem do seu professor. Para o melhor aproveitamento dos alunos, cada classe contará com, no máximo, dez pessoas.

Diversidade cultural e fonte de renda

Alphonse Nyembo Wanyembo ministrará aulas de inglês
Wessam Alkourdi será professor de inglês com foco na cultura árabe

Muitos deles encontram dificuldade em conseguir um emprego no Brasil e o curso permite que eles tenham um trabalho relacionado aos seus conhecimentos e habilidades”, pontua André sobre as expectativas dos cursos de idiomas no processo de reintegração do refugiado em um novo país.
Além de fornecer a experiência de um intercâmbio em sala de aula, os organizadores do Abraço Cultural têm como objetivo promover uma nova fonte de renda para os refugiados. “Após julho, o Abraço Cultural deseja lançar outros cursos específicos, como os de culinária e de dança, aproveitando as particularidades de cada cultura para gerar renda para mais refugiados.

Entre os professores que irão compartilhar seus conhecimentos e experiências culturais estão Wessam Alkourdi, sírio que chegou ao Brasil com sua família no final de 2014 e ensinará árabe, e o congolês Alphonse Nyembo Wanyembo, formado em letras por uma universidade norte-americana e agora será um dos professores de inglês do projeto.

Para os alunos iniciantes, o foco será no aprendizado teórico e aulas especiais sobre cultura. Os cursos intermediários e avançados serão voltados para a conversação e trocas culturais. Todo o material didático que será usado em sala de aula foi criado por voluntários com conhecimentos nas áreas de pedagogia e letras.

Como participar

Os cursos serão oferecidos entre os dias 6 e 30 de julho, sendo que as inscrições poderão ser realizadas até o dia 30 de junho mediante pagamento de R$ 400,00. As matrículas podem ser pagas na sede do Atados (Rua Capote Valente, 701) ou pela internet, usando o sistema PagSeguro no próprio site do curso (www.abracocultural.com.br). As aulas acontecerão no prédio da BibliASPA (Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul – Países Árabes), localizado no bairro de Santa Cecília.

Texto: Kadidja Toure / Edição: Stefanie Zorub Montanha / Fotos: Ilana Goldsmid

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