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Relatório Adus 2016 é lançado em evento sobre refúgio promovido pelo instituto

A congolesa Mabuaka Kolo conta com a ajuda do Adus desde que chegou ao Brasil

No primeiro dia da Semana de Celebração do Dia Mundial do Refugiado, convidados conhecem, debatem e tiram dúvidas sobre o tema

O Diálogo Adus abriu a Semana de Celebração do Dia Mundial do Refugiado. Promovido pelo programa Advocacy, que compõe uma das frentes de trabalho do Adus, o evento reuniu representantes  políticos, organizações da sociedade civil, estudantes e diversas pessoas em situação de refúgio com o objetivo de discutir os desafios trazidos pela integração dos refugiados no Brasil.

Houve três debates mediados por membros da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, que vieram de Santos para comparecer ao evento. O primeiro painel contou com a participação do representante da Coordenação de Políticas para Imigrantes, Guilherme Arosa, e do deputado estadual de São Paulo Carlos Bezerra.

Eles discutiram diversos temas, entre os quais a inserção dos refugiados no mercado de trabalho, preconceito, regularização migratória e a possível criação de um fundo monetário internacional que promova acordos entre o Brasil e outros países que ainda não adotaram a política de acolher refugiados em seus territórios.

A congolesa Makuaba Kolo, de 46 anos, está no Brasil há sete meses. Desempregada desde que chegou ao país, ela quis participar do evento para esclarecer dúvidas sobre a legislação brasileira e saber um pouco mais sobre os direitos dos refugiados.

“Preciso saber como funcionam as leis do Brasil. Também estou em busca de orientações para conseguir um trabalho. Estou um pouco perdida e ainda sinto que existe preconceito com quem vem de outro país”, contou.

Antes do início do segundo painel, os participantes puderam saborear arepas preparadas por uma família colombiana, além de lanches e esfihas feitos por uma refugiada vinda da Síria.

Durante o almoço, as estudantes de Direito e Relações Internacionais Débora Ramos, 18, e Letícia Neves, 21, falaram da importância de participar de um evento como esse. “Estou fazendo uma iniciação científica sobre o Haiti e até agora já consegui colher informações muito interessantes. Achei ótima a ideia de ocorrer essa integração dos convidados com o poder público”, contou Letícia. Débora revelou que foi o primeiro contato dela com o tema e adorou a experiência. “Penso até em me tornar uma voluntária do Adus. Gostei bastante do trabalho”.

Arturo Cardenas preparando deliciosas Arepas Colombianas para os convidados do evento

O segundo painel enfatizou a importância de promover uma assistência social aos refugiados que chegam ao Brasil, as dificuldades em aprender um novo idioma e também para acessar serviços públicos.

“Temos que saber lidar com a escassez de recursos e tentar atingir a periferia. Nesses locais encontramos centenas de famílias que não têm acesso às informações básicas, como um simples curso de português”, afirmou Margareth Zoega, que integra a ONG Coletivo Conviva Diferente.

Além dela, o debate foi composto por Paulo Amâncio, do CRAI (Centro de Referência e Acolhida para o Imigrante), que falou sobre o trabalho e projetos da prefeitura, e Aline Bamman, coordenadora do programa Orientação de Trajeto do Adus.

O último painel foi composto por refugiados do Congo, Síria e Palestina que tiveram a oportunidade de relatar como foi vir para o Brasil, as barreiras enfrentadas e o quão difícil é recomeçar muitas vezes longe da família.

O evento foi concluído com o lançamento do Relatório Adus 2016, resultado de estudos sobre o refúgio no Brasil, feitos por 40 pesquisadores da instituição, que será divulgado anualmente.

“Nossa intenção com esse relatório é sistematizar as informações sobre o tema para podermos melhorar a situação dos refugiados no Brasil. É um material útil também para quem quer conhecer mais sobre o tema [do refúgio]”, explicou Salomão Cunha Lima, coordenador do programa Advocacy.

O relatório, que tem em torno de cem páginas, pode ser baixado gratuitamente pelo site do instituto. Clique aqui para acessar o conteúdo!

Texto e fotos: Alethea Rodrigues e Beverly Raquel

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