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Sírios compõem o maior número de refugiados no Brasil

Desde 2011, mais de 200 mil pessoas já morreram em conflitos no território Sírio e o Brasil se tornou o país com maior número de refugiados vindos da região

As primeiras grandes manifestações contra o governo da Síria aconteceram na capital Damasco/ Foto: Wikimedia Commons

Pouco menor do que o estado de São Paulo, hoje, o território da Síria comporta cerca de 20 milhões de habitantes. São diversos grupos étnicos formados por curdos, armênios, assírios, cristãos e muçulmanos, além de uma incrível diversidade cultural e histórica que remonta seu passado glorioso e que pode ser percebida nas ruínas e artefatos produzidos por povos antigos que habitam a região há milênios.

Porém, o que mais tem chamado a atenção no país é o medo e a incerteza causados pelos conflitos entre rebeldes e milícias apoiadoras do governo de Bashar al-Assad, o que vem causando uma série de violência contra a população civil e resultando em milhares de mortos e refugiados.

Os primeiros protestos contundentes contra a administração de Assad se iniciaram em março de 2011, durante o período que ficou conhecido no mundo todo como a “Primavera Árabe” – momento em que a população civil de países como Egito, Tunísia e Líbia fizeram levantes contra seus respectivos governos. Porém, o que se iniciou por meio de manifestações pacíficas na Síria, se transformou em uma luta armada e violenta, comprometendo o modo de vida de milhões de pessoas no país, sem poupar mulheres ou mesmo crianças.

Alepo faz parte do grupo de cidades mais atingidas pela Guerra Civil síria / Foto: Wikimedia Commons

A história milenar do território sírio é marcada por guerras, já que a região já foi disputada por romanos e turcos, além de ter sido palco de conflitos causados pelas Cruzadas, por exemplo. Analisando alguns dados históricos, temos um país independente da França desde 1946, enquanto a trajetória da família Assad no poder está prestes a completar 50 anos, pois foi em 1967 que o general Hafez Al-Assad assumiu o poder no país, tendo sido substituído por seu filho, Bashar Al-Assad,  em meados dos anos 2000, logo após sua morte. Um dos maiores problemas no campo político no país é a falta de espaço para partidos opositores ao Baath, do qual faz parte a família Assad, e mesmo aqueles que são contra o atual governo possuem discordâncias entre si, resultando em conflitos que dificultam a criação de estratégias mais democráticas e transparentes para o país.

Com isso, a população enfrenta o autoritarismo e terror impostos por dois lados diferentes: dos grupos rebeldes que são contra Assad, mas também por parte do o governo, que desempenha um papel opressor, resultando em milhares de pessoas que sofrem, hoje, com a miséria e com conflitos violentos. Aos poucos, essa situação tornou a Síria um Estado relativamente isolado no cenário internacional, sujeito a sanções de diversos países, o que traz consequências diretas para o seu desenvolvimento.

População Civil

Rasha e a filha participam de festa do Adus no Brasil / Foto

De acordo com dados divulgados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a Síria se tornou, em 2014, o país com mais refugiados atendidos pelo órgão. São mais de 3 milhões de pessoas, 23% do total, fugindo da guerra e da miséria instaladas no país. Além da violência, outros problemas assolam a população, entre eles a dificuldade em conseguir tratamento médico e a alta dos preços de produtos básicos, como alimentos.

Muitos optam por deixar o país apenas depois de várias tentativas de se mudar dentro dele e a maioria acaba permanecendo em regiões vizinhas, como o Líbano (1,14 milhão de refugiados sírios), Turquia (815 mil) e Jordânia (608 mil), de acordo com dados do ACNUR.

Mudanças constantes fazem parte da vida de Rasha Mubayed Abo Alzahab, que deixou a Síria há três anos e, antes de vir ao Brasil, passou dois anos na Jordânia. Ela decidiu se mudar para fugir da violência e embarcou acompanhada pelo marido e os filhos. “Muitos países não recebem os sírios, mas o Brasil permitiu que entrássemos em seu território com respeito e eu agradeço a recepção”, nos conta.

No Brasil, até outubro de 2014, os maiores grupos de refugiados presentes no país são compostos por cidadãos da Síria, Colômbia, Angola e República Democrática do Congo. Atualmente, há mais de 1,7 mil sírios refugiados em território brasileiro. De acordo com relatório divulgado pelo ACNUR em 2010, foram protocolados, naquele ano, 566 pedidos de refúgio em nosso país, número que cresceu consideravelmente: nos dez primeiros meses de 2014, foram 8.302 pedidos. Somente no ano passado, foram aprovadas 2.320 concessões de refúgio.

Fugindo da guerra, de perseguições, da miséria e outras condições debilitantes, os sírios encontram no Brasil um processo facilitado para obter refúgio. Entre as vantagens que o país oferece está a possibilidade de trabalhar e, consequentemente, construir uma nova vida, o que seria quase impossível nos campos de refugiados. Mas para que os refugiados sírios possam, de fato, aproveitar essa segunda chance, a ajuda de órgãos governamentais, ONGs e da população é fundamental.

Texto: Mariana Ohde / Edição: Kadidja Toure / Fotos: e Wikimedia Commons

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